A Lebre e a Tartaruga - Ler história curta para dormir com lição de perseverança

Capa da história A Lebre e a Tartaruga

História para dormir: A Lebre e a Tartaruga


A corrida começou antes mesmo de alguém dizer “já”.

Foi num fim de tarde morno, com cheiro de grama recém-amassada e o céu pintado de laranja, que a lebre — toda esticada, cheia de confiança — deu uma risadinha dessas que escapam pelo canto da boca.

— Aposto que eu chego lá e volto antes de você dar dez passos — disse ela, sacudindo as orelhas.

A tartaruga, que estava ali pertinho, caminhando no seu ritmo de sempre — devagar, constante, como quem sabe exatamente para onde vai — levantou os olhos.

Demorou um pouquinho para responder.

Ela pensava antes de falar.

— Pode ser — disse, com uma voz calma. — Mas eu chego.

A lebre piscou. Depois riu. Riu alto.

— Então vamos apostar!

E foi assim que os outros animais, curiosos como só eles, se juntaram para assistir. O sabiá ficou no galho mais alto. O esquilo roía uma noz de ansiedade. Até o vento pareceu parar um pouquinho para ver o que ia acontecer.

A linha de chegada? Uma grande árvore no alto da colina.

Bonita, antiga… daquelas que parecem guardar segredos.

— Preparados? — cantou o sabiá.

Silêncio.

— Já!

E lá foi a lebre.

Num pulo só, levantou poeira. Em dois, já estava longe. Em três… bom, a tartaruga ainda estava dando o primeiro passo.

Mas ela não se apressou.

Passo.

Respira.

Passo.

Respira.

Enquanto isso, a lebre corria como se o chão fosse feito de molas. Olhava para trás, de vez em quando, só para conferir.

E não via ninguém.

— Ah, isso está fácil demais — murmurou, diminuindo o ritmo.

Ela então encontrou uma sombra gostosa, bem no meio do caminho. Uma árvore baixinha, com folhas macias que dançavam com o vento.

— Só um descansinho — disse, se esticando no chão. — Rapidinho.

Sabe quando o corpo afunda e o olho pesa sem pedir licença?

Pois é.

Ela piscou.

Piscou de novo.

E… dormiu.

Profundamente.

Enquanto isso…

A tartaruga seguia.

Passo.

Respira.

Passo.

Respira.

Ela passou pela sombra.

Viu a lebre dormindo.

Parou por um instante.

Olhou.

E seguiu.

Sem pressa. Sem barulho. Sem dúvida.

O sol foi descendo no céu, devagarinho, como quem também estava curioso com o final daquela história.

E a tartaruga continuava.

Passo.

Respira.

Passo.

Respira.

Até que…

A lebre acordou.

De repente.

— O quê?! — saltou, assustada. — A corrida!

Olhou para frente.

Nada.

Olhou para trás.

Nada.

E então… lá longe, quase tocando a árvore no alto da colina…

— Não pode ser!

Era a tartaruga.

E lá foi a lebre, correndo como nunca tinha corrido antes. O coração batia forte. As patas voavam.

Mas, sabe…

Às vezes, correr muito tarde não adianta.

A tartaruga chegou primeiro.

Encostou na árvore.

E ficou ali.

Respirando.

Calma.

Quando a lebre finalmente alcançou, ofegante, quase sem ar, a tartaruga apenas virou o rosto e sorriu.

Um sorriso simples.

Quentinho.

— Eu disse que chegava — falou.

A lebre, ainda recuperando o fôlego, abaixou as orelhas.

Mas não estava triste.

Estava… pensando.

— Acho que eu corri rápido demais… e pensei de menos.

A tartaruga deu um pequeno aceno.

— Às vezes, ir devagar… é o jeito mais seguro de ir longe.

O vento soprou leve.

O sabiá cantou baixinho.

E ali, no topo da colina, as duas ficaram por um instante… olhando o céu que já começava a escurecer.

Sem pressa.

Como quem entende que cada um tem seu tempo.

E que tudo bem.

Tudo bem mesmo.

Fim.

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