O Soldadinho de Chumbo - Ler História Infantil para Dormir com Coragem e Amor

Capa da história O Soldadinho de Chumbo

História para dormir: O Soldadinho de Chumbo


Eram vinte e cinco soldadinhos de chumbo, todos feitos do mesmo velho colher derretida, todos com fuzil no ombro e olhar firme para a frente. Vinte e quatro deles vieram perfeitos ao mundo. O vigésimo quinto... bem, o vigésimo quinto só tinha uma perna. O chumbo acabou antes de o molde se completar.

Mas ele era tão aprumado quanto os outros. Talvez até mais.

Eles moravam em cima de uma mesa, na sala de uma criança que adorava brinquedos. E que mesa! Tinha um castelo de papel com janelas de papel rendado, árvores de papel em torno de um espelho que fingia ser um lago — e diante desse lago, de pé sobre a ponta de um único pé, uma bailarina de papel.

Ela usava um vestido branco com uma fita azul e os braços estendidos para os lados, leve como um suspiro. Uma perna erguida tão alto que o soldadinho, do ângulo que estava, não conseguia vê-la.

— Ela também tem só uma perna, como eu, — ele pensou.

E foi aí que o coração de chumbo dele começou a derreter um pouquinho.

Ele ficou a noite toda olhando para ela. Ela ficou a noite toda de pé, imóvel e elegante, sem dar a mínima — ou talvez dando, quem sabe, porque papel não fala. A vela apagou. Os brinquedos dormiram. Só o soldadinho ficou acordado, com o fuzil no ombro e o pensamento em outra parte.

De manhã, as crianças acordaram, e um dos meninos colocou o soldadinho na janela aberta. Foi o vento que empurrou — ou foi outro brinquedo enciumado que deu um esbarrão ninguém viu? Seja como for, o soldadinho despencou lá de cima e foi parar de cabeça entre duas pedras na calçada, com a baioneta enfiada no chão de pernas para o ar.

Começou a chover.

Dois meninos passaram na rua e o encontraram.

— Ó! Um soldadinho! — gritou um deles. — Vamos botar ele num barco!

Dobraram um pedaço de jornal e jogaram o soldadinho dentro. O barquinho foi pelo ralo, pelo esgoto, corredeira abaixo. Era escuro e fundo e o barco balançava que era um desespero, mas o soldadinho ficou de pé na sua única perna, segurando o fuzil, quieto feito pedra.

No fim do canal, um peixe enorme abriu a boca e — ploft — engoliu o barco, o soldadinho e tudo.

Escuro total.

O soldadinho esperou.

Sabe o que aconteceu depois? O peixe foi parar numa peixaria, foi comprado, levado pra uma cozinha — e quando a cozinheira abriu a barriga do peixe com a faca, lá dentro estava o soldadinho, firme e aprumado como se tivesse saído para um passeio e resolvido voltar pelo caminho mais esquisito do mundo.

E — olha que coisa curiosa — era a mesma casa de onde ele tinha caído.

Ele reconheceu a mesa. Reconheceu o castelo de papel. Reconheceu o espelho-lago. E lá estava ela, a bailarina, na ponta de um pé só, com os braços abertos e a fita azul, tão bonita quanto na noite em que ele tinha se apaixonado.

O soldadinho não disse nada. Só olhou.

Mas um dos meninos, sem querer, tropeçou na mesa — ou foi aquele brinquedo enciumado de novo, que brinquedos ciumentos não param nunca — e o soldadinho deslizou direto para a lareira acesa.

O calor era intenso. O chumbo começou a derreter.

O soldadinho olhou para a bailarina uma última vez.

O vento da janela aberta pegou a bailarina, de papel que era, e ela voou — reta — para dentro da lareira também.

Eles se encontraram lá dentro, no mesmo fogo, ao mesmo tempo.

De manhã cedo, a criada varreu as cinzas da lareira. Encontrou uma coisinha pequena, pesada, em forma de coração. Um coração de chumbo, com uma florzinha de prata colada nele — tudo o que restou da fita azul da bailarina.

Ela colocou na janela, achando bonito.

E ficou ali por muito tempo, aquele coraçãozinho de chumbo brilhando na luz do sol, segurando para sempre aquela florzinha de prata.

Como se dois que nunca conseguiram se aproximar na vida tivessem, no fim, virado a mesma coisa.

E assim termina a história do soldadinho de chumbo.

Fim.

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