A Roupa Nova do Rei - Ler história curta para dormir sobre aparências, vaidade e sinceridade

Capa da história A Roupa Nova do Rei

História para dormir: A Roupa Nova do Rei


Havia um rei que tinha uma fraqueza. Só uma — mas era daquelas que todo mundo conhecia.

Ele adorava roupas.

Não um pouquinho. Não "ah, gosto de me vestir bem". Não. Esse rei acordava pensando em roupas, almoçava pensando em roupas e se deitava escolhendo o que ia usar no dia seguinte. Seu palácio tinha um armário pra cada dia do mês — e ainda sobrava roupa na fila.

Pois bem. Um dia chegaram à cidade dois homens com uma história boa demais. Disseram que eram tecelões mágicos. Os melhores do mundo. E que sabiam fazer um tecido tão especial, tão extraordinário, que era completamente invisível para qualquer pessoa tola ou incompetente.

— Só os mais sábios e capazes conseguem ver nossa obra — explicaram, sorrindo com o tipo de sorriso que esconde muita coisa.

O rei abriu a carteira na mesma hora.

— Comecem amanhã cedo.

Os tecelões se instalaram num quarto do palácio e ficaram dias ali dentro, movendo os braços no tear, fazendo barulho de trabalho, mas — segredo — não havia nenhum tecido. Coisa nenhuma. O tear estava vazio. Era tudo mentira.

Só que aí vem o problema.

O rei mandou o ministro mais sábio do reino dar uma espiada. O ministro entrou no quarto, olhou para o tear... e não viu nada.

Nada mesmo.

Mas como ele ia admitir isso? Se o tecido era invisível só para tolos, então dizer que não via seria o mesmo que dizer que era um tolo. E ministro sábio não faz isso.

Então ele voltou e disse ao rei: — Magnifico, Majestade. Nunca vi cores tão vivas.

E foi assim por aí. Todo mundo que o rei mandava espiar voltava elogiando. As cores. O bordado. A textura. Ninguém ia ser o primeiro a dizer a verdade.

Até que chegou o dia do desfile.

Os tecelões fingiram vestir o rei com muito cuidado — ajustando aqui, apertando ali, pedindo que ele não amassasse "o tecido" ao sentar. O rei ficou ali parado, em troncos e cuecas reais, acreditando de olhos fechados.

Ou quase acreditando. Porque lá no fundo, pequeninho, havia um pensamento que ele não queria ouvir.

O cortejo saiu pelas ruas. O rei desfilava, solene, com a cabeça erguida. E o povo? Ah, o povo ficou quietinho também. Ninguém queria ser chamado de tolo na frente dos vizinhos.

Até que uma menina — devia ter uns cinco anos, tinha um pirulito na mão — olhou bem para o rei e falou, bem alto, para a mãe:

— Mamãe, o rei tá sem roupa!

Silêncio.

Depois um riso. Depois outro. E de repente toda a rua estava rindo — não com maldade, mas com aquele alívio gostoso de quem finalmente podia falar a verdade.

O rei parou. Ficou quieto um instante.

E então — pra surpresa de todo mundo, inclusive dele mesmo — começou a rir também.

Uma gargalhada grande, redonda, que chacoalhou a barriga e molhou os olhos. Porque no fundo, lá naquele cantinho pequeninho que ele não queria ouvir, ele sabia. Sempre soube.

Os tecelões fugiram naquela noite — com as moedas de ouro, sem as moedas de honra.

Mas o rei ficou. E ficou diferente.

Mandou agradecer a menina do pirulito com uma carta escrita de próprio punho. E de tempos em tempos, quando alguém no palácio tentava dizer uma coisa só pra agradá-lo, ele sorria e perguntava:

— Tem certeza? Porque uma vez eu desfilei pelas ruas sem roupa, e todo mundo ficou quieto. Prefiro a verdade, obrigado.

E assim ele governou por muitos anos — com muito mais sabedoria do que tecido.

E assim termina a história do rei que aprendeu que uma criança com pirulito às vezes enxerga mais longe do que um ministro com óculos.

Fim.

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