O Gato de Botas - Ler história curta para dormir sobre aventura

Capa da história O Gato de Botas

História para dormir: O Gato de Botas


Era uma vez um moleiro que tinha três filhos e, quando morreu, deixou para cada um o que tinha.

O filho mais velho ficou com o moinho. O do meio, com o burro. E o caçula — coitado — ficou com o gato.

Só o gato.

O menino ficou ali, olhando para o bichano listrado que se lambeu a pata como se nada fosse, e pensou: acabei. Ia ter que trabalhar para os irmãos pelo resto da vida. O gato era bonito, sim. Mas bonito não enche barriga.

Só que esse gato tinha um segredo.

— Me arranje um saco e um par de botas — disse o bichano, bem tranquilo, como quem pede pão com manteiga.

O menino ficou boquiaberto. Um gato que fala. Claro. Por que não?

Arranjou as botas. Arranjou o saco. E dali em diante, nada mais foi igual.

O gato saiu pelo mundo com as botas fazendo clique-claque no chão de pedra, e começou a caçar. Coelhos gordos, perdizes, toda sorte de bicho que vivia nos campos. E cada presente que levava ao palácio, entregava com uma mesura e um sorriso:

— Com as reverências do Marquês de Carabás, Majestade.

O rei adorou. A rainha adorou. A princesa — essa, bem, ficou curiosa.

Quem era esse tal marquês que mandava presentes tão generosos?

(Aqui entre nós: o marquês não existia. Era só o menino, que nem sabia que tinha ganhou um título.)

Um dia, o Gato de Botas correu para o menino com um plano.

— Vista nada e pule no rio. Já.

— Como assim?

— Confie em mim.

O menino pulou. E não é que a carruagem do rei passava bem naquele momento? O gato correu para a estrada, agitando as botinhas:

— Socorro! O Marquês de Carabás está se afogando! Ladrões roubaram tudo o que ele tinha!

O rei mandou buscar o rapaz na hora. Deu a ele roupas finas, levou-o para dentro da carruagem. A princesa olhou para aquele jovem de olhos espantados e, sabe como é, achou graça.

Mas ainda tinha o castelo do ogro. O gato foi lá.

O ogro era enorme, com voz de trovão e um ego ainda maior.

— Dizem que você se transforma em qualquer animal — disse o gato, com aquele sorriso de lado que os gatos têm. — Deve ser mentira. Num leão, por exemplo, seria impossível...

O ogro rugiu e virou leão ali na hora. O gato deu um salto para o teto e quase morreu do coração.

Mas se recompôs.

— Impressionante! Agora... num camundongo? Isso, com certeza, é impossível.

O ogro virou camundongo.

E o gato, bem. Fez o que gatos fazem.

O castelo estava livre.

Quando o rei chegou com a carruagem, o Gato de Botas estava na porta, botinhas brilhando, como quem esperava há horas:

— Bem-vindos ao castelo do Marquês de Carabás.

O menino engoliu seco. A princesa sorriu. E o rei ficou tão encantado que perguntou, ali mesmo, se o jovem marquês aceitaria casar com sua filha.

O jovem aceitou. Com muito gosto.

E o gato? Virou o gato mais bem tratado do reino — com direito a laço no pescoço, almofada de veludo e um prato de prata que era lavado todo dia.

Às vezes, ele ainda caçava. Mas era por esporte.

E assim termina a história do Gato de Botas — o felino mais esperto que já calçou uma bota.

Fim.

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