A Cigarra e a Formiga - Ler história curta para dormir sobre disciplina e amizade

Capa da história A Cigarra e a Formiga

História para dormir: A Cigarra e a Formiga


Num campo dourado, onde o sol esquentava tudo que podia esquentar, viviam duas vizinhas muito diferentes uma da outra.

A Formiga acordava antes de o sol aparecer. Carregava folhas, grãos, sementes — ia e voltava, ia e voltava, sem parar. Ela conhecia cada pedacinho daquele campo, cada buraquinho no chão onde guardar provisão. Se alguém perguntasse o que ela estava fazendo, ela respondia sem tirar os olhos do trabalho: "Me preparando para o inverno."

A Cigarra, bem... a Cigarra tinha outras prioridades.

Ela passava as manhãs na sombra fresca da paineira, afinando o canto. Passava as tardes no alto da cerca, cantando para quem quisesse ouvir — e para quem não quisesse também. A música dela subia pelo ar quente feito fumaça de fogueira, e os outros bichos paravam um instante para ouvir, mesmo sem querer.

De vez em quando, a Cigarra pousava perto da Formiga e perguntava, com aquela voz suave de quem nunca se preocupou com nada:

"Formiga, por que tanto trabalho? O verão é longo, a comida está por toda parte. Descanse um pouco e cante comigo!"

"Não posso," dizia a Formiga, sem erguer a cabeça. "O inverno chega sem avisar."

A Cigarra ria, sacudia as asinhas e voltava para o seu galho. Ela não acreditava muito em inverno — pelo menos não naquele momento, com o sol tão quente e os grilos fazendo companhia.

Mas o inverno, como a Formiga muito bem sabia, não pergunta permissão para chegar.

Chegou. De repente, parece — porque é sempre assim, não é? Um dia está tudo quente e dourado, no outro a geada cobre o campo de branco e o silêncio chega junto.

A Cigarra ficou lá fora, tremendo. Sem comida. Sem um lugar quente. Ela olhou para a porta da Formiga — uma porta pequenininha, de madeira escura — e bateu, sem saber muito bem o que esperar.

A Formiga abriu.

Viu a Cigarra ali, com as asas dobradas pelo frio, o olhar baixo.

— Vim... vim pedir desculpa — disse a Cigarra, bem baixinho. — Fui tola. Cantei quando devia trabalhar.

A Formiga ficou em silêncio um instante. Pensou. Aí, bem devagar, abriu a porta um pouco mais.

— Eu também fui tola — disse ela. — Trabalhei tanto que esqueci de ouvir você cantar. E sabe? Seu canto tornava o verão mais bonito de suportar.

Sabe o que aconteceu depois?

A Cigarra entrou. E ali, naquela casinha cheia de provisões e cheiro de terra seca, as duas fizeram um trato: a Formiga dava abrigo e comida; a Cigarra dava música para as noites frias passarem mais rápido.

Foi o inverno mais aconchegante que as duas já tinham vivido.

E quando a primavera voltou, eram inseparáveis. A Formiga planejava, a Cigarra cantava — e o campo as ouvia e ficava mais vivo, mais completo, de algum jeito.

E assim termina a história da Cigarra e da Formiga.

Fim.

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